domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Cigana

(Foto de Carlos Bacha.)

Cercada de mistérios, deusa cigana, detentora dos segredos e conhecedora dos enigmas das linhas encravadas nas mãos. Sábia e assertiva, dominava os saberes ocultos, orientando os que desvendavam seus poderes.
Revelava-se verdadeiramente à poucos. Aos que tinham olhos e ouvidos atentos; mente e coração receptivos.
Era na imensidão - lago que dava vazão aos olhares perdidos - que revelava sua face e descortinava os caminhos.
Foi no compasso de duas luas, uma cheia, outra minguante que surgira.
Foi um olhar único de uma só inteireza que revelara-lhe a cigana, aquela que lhe daria as respostas há tanto procuradas.
Um único mistério ainda pairava no ar. Da imagem dual, mal definida, surgia uma sombra que impedia visualizar-lhe o rosto. Sua identidade mantinha-se ainda em segredo.
Mas eis que o sol acariciando a areia da praia fez dissiparem-se as trevas. A imagem da cigana sumindo ao longe, confundindo-se à linha do horizonte. Na areia com letras douradas pelo sol, a cigana revelara seu nome, seu último segredo: INTUIÇÃO

6 comentários:

José Antonio Klaes Roig disse...

Oi, Elis, Teu texto me remeteu a diversas iamgens e uma palavra-chave: INTUIÇÃO, que vem de interior, portanto, minha intuição me levou a imagem que resolvi ilustrar teu belo post.

A imagem, extraí do portal abaixo.
http://dp.mgrande.net/index.php?view=article&catid=13%3Ao-meu-blog&id=83%3A-mao-&option=com_content&Itemid=86

Elis Zampieri disse...

E a minha ta dizendo que você captou direitinho a mensagem. Ponto pra você.:-)

Beijos.

José Antonio Klaes Roig disse...

Oi, Elis. Relento teu texto confirmei a impçressao que sempre tive, que toda mulher que tem uma relação fraterna com a natureza e consigo mesmo é de fato uma cigana, sempre coma intuição guiando seus caminhos, muito parecidos com aquele curioso mapa na palma da própria mão. Belo texto reflexivo. Um abração, ;-)

Fernando Costa disse...

Intuir é também ouvir "sincronizadamente" (com um certo DEUS) o eu (teu) mulher que habita a partida, o silencio e a entrega...E só depois é que nasce a palavra...Gostei mto de ler e reler o texto e a foto mto me disse...Até aqui; tudo perfeito...Otimo Domingo minha querida e um super abraço tb.

Fernando Costa disse...

querida amiga...Cá um tanto de proximidade, um desejo solto de emoçao e razao mais que suficiente da palavra única, SENTIR...Portanto; sinta-se devidamente abraçada...Fernando Costa

Elis Zampieri disse...

Oi Fernando, grata pela visita e comentário. A escrita é minha, a ilustração do José Antônio, amigo com quem divido as publicações e o projeto literário.
Grande abraço.